Presos na ‘Operação Rejeito’ são transferidos do sistema federal para presídios de Minas Gerais

O
ex-deputado João Alberto Paixão Lages (MDB)
,
Alan Cavalcante do Nascimento
e
Helder Adriano de Freitas
, presos durante a
Operação Rejeito
, da Polícia Federal (PF),
contra um esquema ilegal de mineração
, no dia 17 de setembro, em Minas Gerais, foram transferidos do presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para o sistema penitenciário mineiro nesta quarta-feira (15).

Conforme apuração da Itatiaia, João Lages foi levado para o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde há uma cela específica para advogados. Já Alan Cavalcante, apontado como líder da organização, e Helder Adriano, identificado como “diretor operacional” do esquema, foram transferidos para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A reportagem apurou ainda que os três chegaram a Minas Gerais em voo comercial, sob escolta policial.

Durante as investigações, a PF descobriu que o
ex-deputado João Lages atuava para conseguir licenças ambientais na área da mineração
. Segundo a corporação, ele se uniu a outros integrantes da organização criminosa para viabilizar a liberação de projetos “mediante pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos de diversos órgãos ambientais, incluindo o Iphan, a ANM e a Semad”.

Alan Cavalcante e Helder Adriano articulavam de forma ilegal a concessão das licenças junto a órgãos públicos. O grupo, segundo as investigações, movimentava valores bilionários por meio de empresas de fachada, pagamento de propina e concessões irregulares.

Como a operação envolveu pessoas com foro privilegiado, o caso subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Operação Rejeito

A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (17), aponta que os esquemas de fraudes em licitações para favorecer mineradoras em Belo Horizonte e Região Metropolitana podem envolver, inclusive, a falsificação de documentos oficiais da prefeitura da capital mineira.

No total,
foram expedidos 22 mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões em imóveis de alto padrão
. Residências em condomínios de luxo na Grande Belo Horizonte, principalmente em Nova Lima, e um apartamento em Maceió–AL foram alvos da operação. A Justiça também determinou o bloqueio de bens do grupo, estimados em até R$ 1,5 bilhão.

Na representação para expedir os mandados de busca e apreensão, a investigação cita materiais com indícios de adulteração. A representação divide a atuação da suposta organização criminosa em diferentes projetos para a exploração de áreas como a Serra do Curral. Um deles, batizado de “Rancho do Boi”, tem como um dos possíveis crimes apontados a falsificação de uma declaração de dispensa de licenciamento ambiental municipal.

O documento teria sido expedido pela Prefeitura de Belo Horizonte em abril de 2023 para eximir a organização da necessidade de processos de licenciamento ambiental na exploração do terreno vizinho ao Parque Estadual da Baleia e à BR-040. Uma análise da Controladoria Geral da União (CGU) apontou diversos indícios de que a dispensa foi falsificada.

Fraudes em licenciamento ambiental

De acordo com a PF, o esquema também contava com a participação de servidores públicos estratégicos. Entre eles está Rodrigo Gonçalves Franco, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), acusado de conceder licenças fraudulentas, manipular pareceres técnicos e cobrar propinas.

Outro alvo é Leandro César Ferreira de Carvalho, ex-gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) em Minas Gerais, que, mesmo afastado do cargo, seguia fornecendo informações privilegiadas e antecipando decisões em benefício da organização.

Itatiaia