Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, preso no Presídio de Caeté, na Grande BH, pelo assassinato do gari Laudemir Fernandes, de 44 anos,
prestou depoimento à Justiça nesta quarta-feira (26)
“Falam que sou aficionado por armas. Se eu fosse eu seria um CAC (Caçador, Atirador Desportivo e Colecionador). Porque não tenho antecedentes criminais e tenho recursos para fazer isso. Na realidade, eles estão tirando as fotos de contexto”, alegou Renê.
Em seguida, o acusado listou algumas das imagens que vieram à tona após sua prisão. Sobre as imagens dele disparando com uma arma, alegou se tratar de “uma garrucha” com a qual deu um tiro há um ano e meio atrás.
Depois cita outras duas armas que apareceram em imagens, afirmando que eram de uma inspetora da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro que foi sua namorada. Segundo ele, a mulher esqueceu os armamentos em sua casa e ele tirou a foto para alertá-la que ela havia as esquecido junto do seu distintivo.
Por fim, cita imagens em que exibe os distintivos de sua esposa,
a delegada da Polícia Civil, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira
No depoimento, Renê Júnior afirmou que estava armado no dia do crime para se defender de um ex-sócio, supostamente ligado ao Jogo do Bicho, que estaria o ameaçando.
“Eu odeio armas. Se eu gostasse de armas, eu teria uma. Eu só peguei uma arma para me defender de uma possível injusta agressão”, afirmou.
Vídeos mostram Renê exibindo armas
Apesar das alegações, vídeos obtidos pela investigação mostram Renê dirigindo com armas no banco da frente do seu carro e fazendo “piadas” ao oferecer os armamentos a um terceiro para quem ele envia as gravações.
“E aí liderança! Vai sair ou não vai essas ‘Pernambuquinhas’ aí? Vamos fazer esse sistema aí, estou precisando comprar, pô. Indicar para os meus clientes, para os parceiros, para os mercados. Tem que fechar lá com mídia. Se quiser umas ferramentas emprestadas para fechar eu tenho aqui. Aí tu pega aqui comigo emprestado e a gente resolve lá”, diz Renê aos mostrar as armas no vídeo completo.
Veja trechos das imagens:
Segundo a assessoria do Fórum Lafayette, Renê também alegou que, no dia do crime, andava armado porque estaria sofrendo ameaças de um ex-sócio supostamente ligado ao jogo do bicho.
A audiência
Renê da Silva Nogueira Júnior prestou depoimento, nesta quarta-feira (26), no 1º Tribunal do Júri Sumariante, no bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A sessão, realizada por videoconferência, durou cerca de 2h30 e terminou por volta das 11h30.
Embora tenha falado sobre sua trajetória pessoal, o empresário não respondeu às perguntas e sustentou que jamais admitiu a autoria do disparo. Segundo a assessoria do Fórum Lafayette, ele alegou que policiais teriam dito que poderiam prejudicar sua esposa, a investigadora Ana Paula Lamego Balbino — relação sobre a qual afirmou não saber se ainda se mantém.
Durante o interrogatório, o réu disse ter vivido isolado por muitos anos devido a uma doença do irmão e confirmou possuir formação universitária, apresentando diplomas anexados ao processo. Ele declarou ainda que foi “julgado pela imprensa” ao ser comparado a um “empresário da Shopee”.