Está confirmada para o fim da tarde desta segunda-feira (27) a audiência pública sobre a negociação entre a ArcelorMittal e os trabalhadores da Usina de Monlevade. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), Flávio Cordeiro de Paiva, a entidade já confirmou presença. No entanto, apesar de convites, a presença de representantes da companhia siderúrgica ainda é dúvida. Inclusive, o presidente do sindicato afirma não acreditar que a ArcelorMittal comparecerá à audiência pública. A Notícia tentou contato com a direção da Usina, mas não obteve retorno.
O encontro acontecerá às 17h30 no plenário da Câmara Municipal, no bairro JK, a pedido da vereadora Maria do Sagrado Coração Rodrigues Santos (PT). A reunião é aberta à comunidade. O objetivo da audiência é debater os impactos sociais, econômicos, familiares e de saúde decorrentes da adoção do “turno fixo” na usina, vigente desde o dia 10 de março.
Impasse
A indefinição sobre a escala laboral para os cerca de 680 empregados nesse modelo se arrasta há quase dois meses. Em 28 de fevereiro, expirou o acordo que regulava a jornada dos empregados em regime de “turno”. Sem acordo entre sindicato e empresa, foi adotado o regime de turno fixo, eliminando a alternância de horários de trabalho.
Desde o dia 10 de março, parte dos trabalhadores do regime de turno cumpre expediente fixo das 7h às 15h; outros, das 15h às 23h; e o restante, das 23h às 7h, sem revezamento.
A empresa advoga pela continuidade da escala 6-3-3, a mesma que vigorava até fevereiro deste ano. O sindicato discorda e defende uma escala 4×4, com quatro dias de expediente seguidos por quatro dias de folga, conforme aprovado em sua assembleia. Esse modelo já é aplicado em outras unidades da siderúrgica no Brasil.
Através de um comunicado aos trabalhadores, a ArcelorMittal afirmou que contratou uma consultoria para elaborar novas propostas para a jornada de trabalho. No entanto, o Sindmon-Metal informou que não foi formalmente comunicado sobre essa contratação. A ArcelorMittal, à época das negociações, ainda propôs retomar a escala 6-3-3 durante 60 dias, até ser encontrado um denominador comum.
De sua parte, o Sindmon-Metal apresentou três contrapropostas temporárias, para serem implantadas durante 60 dias. A primeira teria jornada de 12 horas e quatro dias consecutivos de trabalho seguidos por quatro dias de descanso. A segunda retoma o modelo de quatro letras e oito subletras, já aplicado anteriormente. Já a terceira sugere a adoção de um sistema semelhante ao utilizado na Mina do Andrade, também da ArcelorMittal, com turno de 12 horas. Mesmo assim, a companhia rejeitou as três proposições.
Impactos
O Sindmon-Metal argumenta que a escala em turno fixo provoca muito desgaste físico e mental aos empregados. Outro ponto é a redução dos vencimentos em quase 50%, daqueles que trabalham apenas durante o dia, que perderam o adicional noturno. O impacto financeiro já deve ser sentido no pagamento desse mês.
Nova proposta
Extraoficialmente, circula dentro da Usina de Monlevade a informação de que a empresa ofereceria para análise da categoria uma nova escala de trabalho. Segundo apurado, essa jornada teria quatro dias de trabalho das 7h às 15 horas, seguidos por dois dias de folga. A seguir, viriam mais quatro dias das 15h às 23h, e outros dois dias livres. Logo, viriam mais quatro dias das 23h às 7h, seguidos de três dias de folga. Nessa tabela, o trabalhador teria 8 fins de semana de folga por ano. No entanto, a ArcelorMittal ainda não formalizou essa proposta ao Sindmon-Metal e nem aos trabalhadores.