Representantes do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) e da ArcelorMittal Monlevade voltaram a se reunir na manhã desta quinta-feira (7) para discutir o impasse envolvendo o Acordo de Turno na usina. Durante o encontro, a empresa apresentou propostas para tentar avançar nas negociações com os trabalhadores do revezamento.
Conforme o Sindmon-Metal, pela proposta apresentada, a empresa se compromete a restabelecer o adicional de turno de 9,5% para todos os empregados do revezamento. Além disso, também prevê o retorno da chamada “vantagem pessoal” de 11,7% aos trabalhadores que já recebiam o benefício até 28 de fevereiro de 2026.
O pacote inclui ainda 10 dias de folga durante a vigência da tabela, prevista para dois anos, retorno da chamada “Letra D” e manutenção dos adicionais para empregados convocados temporariamente para atuar no horário administrativo por até 90 dias.
Sobre os turnos, foram apresentadas duas propostas de escala que ainda não foram implementadas na planta industrial: Turno de revezamento de seis dias trabalhados por 72 horas de folga e turno de revezamento de quatro dias trabalhados por 48 horas de folga.
Mantendo o posicionamento de submeter as decisões à categoria, o Sindmon-Metal informou que levará as opções para votação em assembleia na próxima terça-feira (12), em dois horários. Pela manhã, a primeira convocação será às 7h30 e a segunda às 8h. Já no período da tarde, a primeira convocação ocorre às 15h30 e a segunda às 16h.
Diante das possibilidades, os trabalhadores poderão aceitar ou rejeitar as propostas apresentadas. A expectativa é de ampla participação dos trabalhadores, diante da importância do acordo para a rotina operacional da usina e para as condições de trabalho dos empregados do revezamento.
Impasse
A divergência entre empresa e trabalhadores começou após o encerramento da convenção coletiva que regulamentava as escalas de trabalho, no dia 28 de fevereiro. Sem um novo acordo firmado, a empresa implantou o sistema de turno fixo, conforme prevê a legislação trabalhista.
Com isso, os empregados passaram a atuar em horários fixos: das 7h às 15h, das 15h às 23h e das 23h às 7h sem o tradicional sistema de revezamento.
A mudança gerou forte insatisfação entre os trabalhadores, principalmente, devido aos relatos de desgaste físico e mental, além de perdas nos vencimentos, sobretudo entre os empregados que permaneceram no turno diurno.
O tema ganhou grande repercussão em João Monlevade e motivou inclusive uma audiência pública na Câmara Municipal, onde trabalhadores relataram dificuldades enfrentadas após as mudanças implantadas na usina. Durante o debate, vereadores cobraram diálogo entre empresa e sindicato para buscar uma solução negociada que preserve direitos e minimize os impactos para os empregados.