Asfaltamento de ruas históricas gera repercussão no Morro da Água Quente

O início das obras de asfaltamento em ruas do distrito histórico do Morro da Água Quente, em Catas Altas, provocou questionamentos de moradores e representantes políticos sobre possíveis impactos à preservação histórica e cultural da comunidade.

Conforme noticiado, as intervenções começaram na última segunda-feira (4). Segundo moradores, o projeto teria sido iniciado sem ampla apresentação pública prévia ou detalhamento técnico divulgado à população, o que gerou críticas relacionadas à transparência da execução.

Entre os principais pontos levantados pela comunidade estão a possível descaracterização do distrito tricentenário, considerado um dos mais tradicionais da região, além de questionamentos sobre a qualidade aparente das obras e a ausência de intervenções complementares, como melhorias no sistema de drenagem.

Os moradores destacam que não são contrários a obras de melhoria urbana, mas defendem que eventuais modernizações respeitem a identidade histórica local. O distrito já passou anteriormente por substituições de calçamento consideradas compatíveis com a preservação do patrimônio cultural.

Após a repercussão do caso, o Ministério Público foi acionado e pediu a paralisação temporária das obras até análise mais detalhada do caso.  Os vereadores Cássyo Pousas (Podemos), José Alves Parreira (PSDB) e Vander Dunga (PSDB) formalizaram questionamentos sobre a intervenção. O ex-vice-prefeito Fernando Guimarães (Podemos), que reside no distrito, também ingressou com ação judicial.

Nota da Administração

Em nota, a Prefeitura de Catas Altas informou que as obras contam com acompanhamento técnico-profissional de engenharia e seguem critérios de infraestrutura, mobilidade, segurança e melhoria das condições de acesso para moradores e visitantes.

A administração municipal também afirmou que as intervenções não ocorrem em área de tombamento histórico-cultural, motivo pelo qual, segundo o Executivo, não haveria necessidade legal de apreciação pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac).

Ainda conforme a Prefeitura, os serviços são custeados com recursos doados pela Vale, sem destinação específica, mas a definição das intervenções e a responsabilidade pela execução seriam exclusivamente do município.

A gestão do prefeito Saulo Morais de Castro afirmou ainda que as vias contempladas foram escolhidas com base em necessidades de acessibilidade, limpeza urbana, salubridade e segurança, buscando melhorar a qualidade de vida da população local. Por fim, a Prefeitura declarou manter compromisso com a preservação da identidade histórica e cultural do Morro D’Água Quente e afirmou que seguirá em diálogo com a comunidade.

Fonte: A Notícia