Um jovem de Monlevade segue a trilha profissional de seus pais e leva, agora, o nome de sua cidade para os Estados Unidos. Aos 26 anos, Diego Drumond Westgeest e Sousa é formado pela renomada Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), e inicia nos EUA a sua residência médica, etapa de formação em que o profissional aplica os conhecimentos de sua formação universitária em um hospital-escola. Dono de um currículo impressionante, ele dá mais um passo para o seu aperfeiçoamento acadêmico e profissional.
Berço monlevadense
Diego é filho dos médicos Jamilton Sousa e Ingrid Drumond, ambos muito reconhecidos pelas décadas de atuação na saúde monlevadense. Natural de Belo Horizonte, ele veio com a família para João Monlevade com apenas um ano de idade, após a residência médica de seus pais.
O exemplo familiar já moldou desde o berço a percepção do menino: “Crescer com dois médicos em casa moldou muito a forma como enxergo o mundo. Não era só o exemplo deles no dia a dia, era ouvir de outras pessoas, às vezes de um jeito completamente inesperado, como meus pais tinham feito a diferença na vida de alguém. Isso me enchia de orgulho, e acho que foi daí que nasceu minha admiração pela Medicina”.
Diego cresceu em João Monlevade e estudou em escolas da cidade, passando pela Associação Monlevadense de Ensino Cooperativo (Amec), Pequeno Polegar e pelos colégios Centec e Cesp. Em seus estudos, explorou vários campos e tomou parte em diversas iniciativas: “Participei de Olimpíadas de Matemática, competições de conhecimento geral, simulações da ONU, Hackathon de empreendedorismo”, relembra.
Amadurecimento e decisão
Para cursar o Ensino Médio, Diego Westgeest se matriculou na unidade de Nova Lima do tradicional e prestigiado Colégio Santo Agostinho, no qual desfrutou de uma educação bilíngue, conquistando um diploma brasileiro e outro canadense: “Foi um período que me confirmou a minha vontade de ser uma pessoa abrangente antes de ser um especialista”.
Apesar de crescer com o exemplo da Medicina na sala de casa, Diego conta que os pais não o induziram a essa carreira, mas o deixaram livre para trilhar o percurso que desejasse: “Mas eles nunca me empurraram para esse caminho. Pelo contrário, sempre me incentivaram a explorar, a ser curioso, a não decidir antes da hora”. Mas foi com essa liberdade que ele decidiu trilhar o mesmo caminho acadêmico de Jamilton e Ingrid, matriculando-se na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, outra instituição de relevo no panorama científico nacional e internacional, sediada em Belo Horizonte.
Formação superior
A opção de Diego pela FCMMG já visava a um passo importante: a internacionalização de sua carreira: “Explorei a área cirúrgica, especialidade dos meus pais, mas fui percebendo que o que mais me movia era a clínica médica, o raciocínio, o contato próximo com o paciente. Ao longo da faculdade me envolvi em projetos de empreendedorismo em saúde e ações comunitárias, e fui entendendo que além de cuidar, queria encontrar formas de multiplicar esse cuidado”.
Aprimoramento na América
Nesse contexto, Diego percebeu que a sua oportunidade era uma residência médica nos Estados Unidos: “Era o lugar onde eu poderia ter um treinamento clínico sólido e ao mesmo tempo me envolver com pesquisa, liderança e empreendedorismo em saúde, tudo que eu queria construir em paralelo. Sem falar na liberdade que a formação americana oferece: com ela é possível exercer a medicina nos Estados Unidos, no Brasil e em diversos outros países. Era o caminho que combinava com tudo que eu havia descoberto sobre mim mesmo ao longo da minha vida e trajetória acadêmica”.
Mas conseguir essa oportunidade não seria fácil. O processo foi longo, num total de cinco anos entre a preparação e a aplicação: “Envolve duas provas extensas reconhecidas internacionalmente: a primeira com 280 questões em 8 horas sobre ciências básicas como farmacologia, bioquímica e patologia, e a segunda com 320 questões em 9 horas cobrindo toda a medicina clínica. São provas que exigem anos de estudo e preparo”. Diego também estagiou em importantes casas de estudos americanas: Universidade de Miami, Universidade do Alabama, Universidade do Kansas e Universidade Cornell: “Isso me ajudou a construir experiência prática, relacionamentos e cartas de recomendação. Cada estágio foi também uma oportunidade de confirmar que eu estava no caminho certo”.
Diego Westgeest formouse em 2025, mas não ficou apenas com o diploma, e deu um novo passo. Em busca de mais conhecimento, ele foi aprovado para uma vaga de pesquisador na Mayo Clinic, instituição escolhida por sete vezes como o melhor hospital do mundo pelo ranking da revista Newsweek. Ali, ele trabalhou com doenças do fígado, contando inclusive com o uso de Inteligência Artificial: “Conhecer de perto as pessoas por trás de grandes avanços na Medicina foi algo que me marcou de um jeito que é difícil de explicar”.
Durante a pesquisa, ele recebeu a aprovação no programa de residência em Clínica Médica de dois dos três hospitais do Mount Sinai em Manhattan, na cidade de Nova York: Mount Sinai West e Mount Sinai Morningside. A instituição é uma das mais antigas e respeitadas dos Estados Unidos, com raízes remetendo a 1852.
Orgulho
O médico Diego Westgeest ainda é jovem, tem apenas 26 anos, mas já acumula em seu currículo uma série de conquistas invejáveis. No entanto, não se esquece de sua família, nem de sua terra: “Quando penso nessa trajetória, penso muito nos meus pais. Não só pelo exemplo da profissão, mas pela forma como sempre acreditaram em mim e me deram espaço para descobrir meu próprio caminho. Eles são minha maior inspiração e fico feliz de dar orgulho a eles. Essa conquista também é deles. Sou muito grato também a Monlevade. Foi aqui que cresci, que fiz amigos, que fui aluno em tantas escolas diferentes. A cidade faz parte da minha história, e fico feliz que ela acompanhe essa conquista comigo”.
A admiração é recíproca no ambiente familiar. A mãe de Diego, Ingrid Drumond, não esconde o orgulho do filho, e reconhece a sua trajetória de abnegação: “Ver um filho conquistar o próprio sonho é viver uma mistura única de sentimentos. Foram anos de estudos intensos, noites mal dormidas, dedicação, renúncias e muitas abdicações… Mas hoje, ao vê-lo aprovado para a residência médica no Mount Sinai, em New York City, tenho a certeza de que tudo valeu a pena”.
Mesmo distantes por muitos quilômetros, a médica testifica o sentimento de felicidade com o filho, que também se tornou um colega de profissão: “O coração de mãe se divide diariamente entre a saudade e a felicidade. Saudade da presença, da rotina, dos abraço… E felicidade por vê-lo realizando exatamente aquilo que sempre sonhou. Não existe distância capaz de diminuir o orgulho de uma mãe ao ver o filho crescer, vencer e ocupar o lugar que merece no mundo. Que Deus continue guiando seus passos, iluminando sua trajetória e fazendo de você um médico cada vez mais humano, brilhante e apaixonado pelo que faz. Seu sonho agora ganha o mundo…E o meu coração aprende, todos os dias, a amar também à distância”.