Sindicato divulga carta aberta e justifica manifestação em acesso à ArcelorMittal Monlevade

O Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal)  divulgou uma carta aberta à população nesta quinta-feira (21), na qual explica os motivos da manifestação realizada durante a manhã nas vias de acesso à usina da ArcelorMittal Monlevade. A mobilização reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais e entidades parceiras em um ato que, segundo a entidade, ocorreu de forma organizada, pacífica e dentro da legalidade. No entanto, o ato interrompeu o trânsito por cerca de 1h no começo da manhã e gerou criticas de outros trabalhadores que passam pelo local.

No documento, o sindicato reconhece os impactos causados no trânsito e os transtornos enfrentados pela população, especialmente, em uma região considerada estratégica para o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes e usuários de serviços essenciais. A entidade, no entanto, afirma que houve preocupação constante em minimizar os efeitos da mobilização, garantindo a circulação de veículos prioritários, principalmente aqueles ligados à área da saúde e atendimentos de urgência.

Segundo a carta, a manifestação foi motivada por impasses nas negociações com a empresa, especialmente, em relação ao modelo de jornada de trabalho adotado. A principal reivindicação da categoria é a implantação da escala 4×4, modelo em que os funcionários trabalham por 12 horas durante quatro dias consecutivos e depois têm quatro dias de folga. De acordo com o Sindmon-Metal, o sistema já funciona em outras unidades da siderúrgica, mas ainda não foi adotado em João Monlevade.

O sindicato, porém, alega dificuldades no diálogo com a empresa e afirma que a manutenção da escala atual vem gerando preocupação entre os trabalhadores devido aos possíveis impactos na saúde física e mental, além de reflexos na convivência familiar e na vida social. “A nossa luta não é apenas por salário ou escala de trabalho. É pela preservação da dignidade humana, pela valorização da vida e pelo direito de trabalhadores e trabalhadoras terem condições adequadas para exercer suas funções sem comprometer sua saúde e suas famílias”, destacou a entidade no documento.

O sindicato também argumenta que os efeitos das condições de trabalho ultrapassam os limites da empresa e atingem diretamente as famílias dos trabalhadores. Na avaliação da entidade, em uma cidade como João Monlevade, onde grande parte da população possui vínculos diretos ou indiretos com a usina, os impactos acabam sendo compartilhados por toda a comunidade.

A carta ressalta ainda que manifestações podem gerar desconfortos momentâneos, mas destaca que conquistas trabalhistas históricas ocorreram por meio da mobilização coletiva e da organização sindical.

Ao final do documento, o Sindicato dos Metalúrgicos reafirma que permanece aberto ao diálogo e disposto a negociar, desde que haja, segundo a entidade, uma disposição efetiva da empresa para construir soluções que atendam às reivindicações da categoria. O texto encerra com um pedido de compreensão, apoio e solidariedade da população à causa defendida pelos trabalhadores.

Fonte: A Notícia