O padre Jeferson Veronês criticou a imprensa monlevadense em uma fala ao fim da missa das 9h de domingo, na igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Vila Tanque. O religioso disse para os fiéis não confiarem nos veículos e, além disso, disse que não dará mais declarações aos jornais.
Ele reclamou da cobertura dada ao processo de requalificação da matriz São José Operário e de comentários feitos às publicações, como um que dizia que o religioso “não deveria estar mais em Monlevade”. Segundo ele, quem quisesse informações poderia procurar o prefeito, Laércio Ribeiro; o presidente da Câmara Municipal, Fernando Linhares (Podemos); ou ao próprio sacerdote.
A fala dele vem após a imprensa repercutir um vídeo do padre em que justifica a interdição da igreja São José Operário e responsabiliza a diretora presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio.
Na sexta-feira (12), o padre Jefferson, gravou um vídeo em que acusa a diretora-presidente de travar, com burocracias, as obras de reforma da igreja e da gruta Nossa Senhora de Lourdes. Por isso, segundo ele, a igreja foi interditada por questões de segurança devido a problemas na rede elétrica do templo. Nesse domingo, ele informou que foi identificado um “roubo” (“fuga”) de energia, que multiplicou por três meses o valor da conta de eletricidade paga pela matriz, além de oferecer risco de curto-circuito.
De acordo com o padre na gravação de sexta-feira, Nadja Lírio colocou obstáculos e empecilhos para que as obras da reforma aconteçam. “Que a senhora possa ver esse vídeo e a situação que está e, por gentileza, parar de colocar empecilho para que as obras aconteçam, porque o projeto já está feito, já foi aprovado no conselho da secretaria da Casa de Cultura”, disse o padre Jefferson. Porém, ele não disse quais entraves foram colocados pela diretora da Fundação.
A crítica veio justamente após a paróquia receber cerca de R$500 mil para obras de reforma da gruta Nossa Senhora de Lourdes e da Matriz de São José Operário. Os recursos são fruto de articulação entre Prefeitura e Câmara, que repassaram R$150 mil cada e o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, que repassou R$200 mil. Ainda são esperados cerca de R$2 milhões que podem ser captados junto ao Projeto Semente, do Ministério Público de Minas Gerais.
Conforme A Notícia apurou, a paróquia apresentou um plano de trabalho de reforma da gruta de Nossa Senhora de Lourdes para o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico no começo deste mês. No último dia 10, durante reunião do Conselho, o órgão reprovou o projeto, já que ele sugere mudanças no altar da gruta que seria deslocado dois metros à esquerda, sob alegação de prejuízo à acessibilidade. O Conselho, como apurado, sugeriu justificativas formais e técnicas para as alterações propostas nos bens tombados, além da análise de profissionais especializados em preservação patrimonial.
Uma reunião entre a Prefeitura, Fundação Casa de Cultura, o padre Jefferson e a comunidade está marcada para esta quarta-feira (17), para tratar dos rumos do projeto de restauração. Em nota enviada à imprensa na noite de sexta-feira (12), a Prefeitura disse acreditar no diálogo e no respeito institucional nos debates em prol do bem comum.