Esta semana deve ser decisiva para a definição das obras de restauro da matriz São José Operário, a mais antiga e tradicional de João Monlevade. O padre Jefferson Cruz Veronês, pároco da matriz, anunciou no domingo (17) que terá duas reuniões estratégicas para os rumos da requalificação. A primeira será realizada nesta quarta-feira (20), com representantes da Prefeitura e da Câmara de João Monlevade. A segunda acontecerá na quinta-feira (21), com o Ministério Público.
O presbítero foi enfático ao dizer que a Paróquia São José Operário e a Diocese de Itabira – Coronel Fabriciano já cumpriram as suas obrigações para viabilizar a revitalização da matriz, assim como a Câmara de João Monlevade. Agora, segundo o religioso, falta a parte da Prefeitura para concluir as tratativas.
O padre Jefferson Veronês projeta que as obras de renovação da igreja São José Operário comecem pela Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no pátio externo, e se estendam até a matriz. Quando as obras chegarem ao edifício do templo, ele pode ser interditado para o culto.
Conforme A Notícia já informou, a Prefeitura e a Câmara de João Monlevade anunciaram um investimento conjunto de R$500 mil para a revitalização da Matriz São José Operário e da Gruta Nossa Senhora de Lourdes. O valor garante os primeiros passos, sendo R$150 mil do Executivo, R$ 150 mil da Câmara Municipal e R$ 200 mil provenientes do Fundo Municipal de Cultura.
Também está em andamento uma articulação com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a liberação de cerca de R$2milhões adicionais via compensação ambiental, o que garantiria a requalificação completa dos espaços
Riscos e luta
O padre Jefferson Cruz Veronês clama pelas obras de restauração da matriz desde que chegou a João Monlevade, em 2020. A igreja sofre com o deslocamento de terra úmida em direção às suas paredes de fundo, o que provoca infiltrações e mofo, que danificam a pintura e as estações da Via-Sacra. As manchas já são visíveis há anos, e se alastram a diferentes pontos da estrutura.
A movimentação do terreno cria ondulações e afundamentos dentro e fora do imóvel, o suficiente para que uma pessoa tropece e caia. Debaixo de uma das alças da escadaria interna, há um buraco de dimensões ainda desconhecidas coberto pelas pedras do calçamento, que traz consigo o risco de afundamento. Por conta disso, essa alça foi interditada.
Foram anos de pedidos e frustrações, até que, em abril, a paróquia e a diocese conseguiram que o poder público se comprometesse a aplicar R$500 mil nas obras de restauro da matriz, tombada como patrimônio histórico municipal e única igreja do mundo em forma de “V”. Pelo acordo, a Prefeitura destinará R$150 mil, a Câmara Municipal, outros R$150 mil, e os restantes R$200 mil virão do Fundo Municipal de Cultura.